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Como não poderia ser diferente, tinha que começar falando da música que deu nome ao blog, “Chão de estrelas”. A primeira vez que ouvi esta música foi a versão de “Os Mutantes”. Sempre gostei dessa música pela sonoridade dessa versão e a introdução que eles fazem com uma parte da música Panis Et Circenses, as músicas casam perfeitamente e podemos sentir realmente do que se trata a música pelos “barulhos” ao fundo.

Chão de Estrelas, que incialmente se chamava “Sonoridade Que Acabou” foi escrita por Orestes Barbosa (1893 – 1966) e musicada por Silvio Caldas(1908-1998)em 1935, Lançada pela primeira vez em 1937, depois em 1950 e só foi regravada pelos mutantes 20 anos depois, em 1970, no LP “A Divina comédia ou Ando Meio Desligado”, versão esta, que foi bastante criticada pelos “puristas” da época.

A música despertou facínio de diversos poetas, dos quais vou destacar Guilherme de Almeida, a quem Silvio Caldas mostrou a música, a qual o poeta deu o nome definitivo de Chão de Estrelas”. Sobre o dia que foi apresentado a música, Guilherme escreveu em 1965 o trecho que foi incluido na crônica de mesmo nome da música:
Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que então dele pensei e disse, hoje o repito: uma só dessas duas imagens – o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão (… ) – é quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a terra”
e Manuel Bandeira que publicou:
Se se fizesse aqui um concurso, como fizeram na França, para apurar qual o verso mais bonito da nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes em que ele diz: “Tu pisavas nos astros distraída…”. (Manuel Bandeira, Jornal do Brasil, 18 de janeiro de 1956).
Além de tudo a música foi trilha dos filmes “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’N Roll” (2006) e “Sabor da Paixão” (1993) e na na novela “Carinhoso” (1973).
Chao de estrelas
Minha vida
Era um palco iluminado
Eu vivia vestido de doirado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsas da alegria
Eu vivia cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão
Lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre
De um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje quando o sol a claridade
Forra o meu barracão
Sinto saudade
Da mulher
Pomba rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Parecia um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
E a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros distraída
A mostrar que a aventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
É a cabrocha escurregando no sabão
É o gato miando no porão
